Apresentação

Espaço para a apresentação e análise de estudos e pesquisas de alunos da UFRJ, resultantes da adoção do Método de Educação Tutorial, com o objetivo de difundir informações e orientações sobre Química, Toxicologia e Tecnologia de Alimentos.

O Blog também é parte das atividades do LabConsS - Laboratório de Vida Urbana, Consumo & Saúde, criado e operado pelo Grupo PET-SESu/Farmácia & Saúde Pública da UFRJ.Nesse contexto, quando se fala em Química e Tecnologia de Alimentos, se privilegia um olhar "Farmacêutico", um olhar "Sanitário", um olhar socialmente orientado e oriundo do universo do "Consumerismo e Saúde", em vez de apenas um reducionista Olhar Tecnológico.

domingo, 18 de junho de 2017

Pelo de roedor no extrato de tomate: Os limites estabelecidos pela Anvisa são seguros a saúde?




    No início de 2017 uma notícia tornou-se polêmica para a população:

"Anvisa proíbe venda de lote de extrato de tomate com pelo de roedor".

     Como se já não fosse o bastante, a afirmação que relatava o limite de pelo de roedor acima do permitido foi muito questionada. Afinal, como é possível que a legislação permita que um alimento tão presente na cozinha da população brasileira possua vestígios de animais que possam acarretar malefícios a saúde e, ainda, transmitir doenças? 



    Polêmicas como a do extrato de tomate com pelo de roedor são altamente comentadas e compartilhadas, principalmente nos dias de hoje, onde os consumidores estão bastante preocupados com a qualidade de vida e o bem estar, estando por dentro de assuntos relacionados a saúde e alimentação. 
    Isto põe em questionamento a confiança da população na vigilância sanitária e na marca, além do receio ao comprar e ingerir determinados produtos, visto que têm possibilidades de acarretar riscos a saúde. 


Fundamentos Bromatológicos

    O tomate é um alimento pouco calórico, fonte de fibras, sais minerais e carotenóides. Seus produtos derivados são muito utilizados na culinária pela sua cor, melhorando a aparência dos pratos. 
    Extrato de tomate é o produto resultante da concentração da polpa de frutos maduros e sãos do tomateiro Solanum lycoperaicum por processo tecnológico adequado. Deve ser preparado com frutos maduros, escolhidos, sãos, sem pele e sementes. É tolerada a adição de 1% de açúcar e de 5% de cloreto de sódio. O produto deve estar isento de fermentações e não indicar processamento defeituoso.
    O extrato de tomate pode ser classificado de acordo com a sua concentração em:
− Purê: substância seca, menos cloreto de sódio, mínimo 9% p/p;
− Extrato simples concentrado: substância seca, menos cloreto de sódio, mínimo 18% p/p;
− Extrato duplo concentrado: substância seca, menos cloreto de sódio, mínimo 25% p/p;
− Extrato de tomate triplo concentrado: substância seca, menos cloreto de sódio, mínimo 35% p/p.

                                                            
                                                               Informação Nutricional 

                                 
                                 Tabela 1. Informação Nutricional referente ao extrato de tomate da marca Quero


Legislação e Discussão 

    A resolução nº14, 28 de Março de 2014, possui o objetivo de estabelecer as disposições gerais para avaliar a presença de matérias estranhas macroscópicas e microscópicas, indicativas de riscos à saúde humana e/ou as indicativas de falhas na aplicação das boas práticas na cadeia produtiva de alimentos e bebidas, e fixar seus limites de tolerância. 
    Essas matérias estranhas indicativas de riscos à saúde humana são aquelas capazes de veicular agentes patogênicos para os alimentos e/ou de causar danos ao consumidor, abrangendo insetos, roedores, outros animais como morcegos e pombos, excrementos de animais, parasitos, objetos rígidos, pontiagudos ou cortantes, fragmentos de vidro ou filmes plásticos. 
    De acordo com a resolução, é permitido 1 fragmento de pelo de roedor a cada 100g de extrato de tomate. A explicação é que ao longo da cadeia de fabricação, os tomates são coletados, lavados e armazenados em locais específicos, porém, é na armazenagem que não há um controle adequado. Assim, o roedor tem acesso ao alimento, contaminando-o. 
    As fábricas são inspecionadas periodicamente pela Vigilância Sanitária, onde os fiscais colhem cerca de três amostras e levam para análise em laboratório. Caso o resultado possua alguma irregularidade, há o recolhimento do lote do produto, além de multa ou interdição do fornecedor. 
    Segundo a Anvisa, a quantidade permitida de matérias estranhas não acarretam riscos de causar danos a saúde. E só permitem esse limite quando a empresa possui as Boas Práticas. 

Conclusão

    De acordo com o descrito na legislação, pode-se perceber que há uma precaução na determinação do limite de tolerância, mostrando que a quantidade permitida não traz riscos a saúde. 
    Apesar de ser autorizado pela Anvisa, não pode-se negar que causa desconforto e receio no indivíduo ao comprar e ingerir determinados alimentos para si e sua família, sabendo que há possibilidade de possuir fragmentos de pelo de roedor. Além do fato de afetar a confiança da população na própria vigilância e também na marca envolvida. 
    Mas será que não é possível eliminar a causa do problema? Não é possível ter Boas Práticas de Fabricação de forma efetiva, evitando a presença de matérias estranhas e, principalmente, animais? Eis a questão. 



Referências

BRASIL. Ministério da Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Resolução da  Diretoria Colegiada nº 14, 28/03/2014. Dispõe sobre matérias estranhas macroscópicas e microscópicas em alimentos e bebidas, seus limites de tolerância e dá outras providências.

BRASIL. Ministério da Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Resolução da  Comissão Nacional de Normas e Padrões para Alimentos nº 12, 21/10/1969. Dispõe sobre os padrões de identidade e qualidade para os alimentos (e bebidas). 

http://g1.globo.com/economia/noticia/anvisa-proibe-venda-de-lote-de-extrato-de-tomate-com-pelo-de-roedor.ghtml
Acesso em 17/06/2017

http://veja.abril.com.br/saude/o-misterio-do-pelo-de-rato-no-tomate/
Acesso em 17/06/2017


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